Leonor Morais,
Som: DJ Riot
Espaço ao cubo
“O vento pode ser considerado como o ar em movimento. Resulta do deslocamento de massas de ar, derivado dos efeitos das diferenças de pressão atmosférica entre duas regiões distintas e é influenciado por efeitos locais como a orografia e a rugosidade do solo.
Essas diferenças de pressão têm uma origem térmica, estando diretamente relacionadas à radiação solar e os processos de aquecimento das massas de ar. Formam-se a partir de influências naturais: continentalidade, maritimidade, latitude, altitude e amplitude térmica.”

in Wikipédia
“Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido.”
Fernando Pessoa
Sinto o vento como a respiração do mundo, as árvores deixam respirar e transformam o ar. O betão quebra a respiração do mundo. Os tufões levam tudo o que os bloqueia, tudo o que não é flexível, é a vontade de respirar fundo, varrer, criar espaço na terra que está sufocada. Tremores de terra, falhas, rachas por onde a terra respira.
Existem falhas, superfícies onde existe uma tensão e uma não tensão que provocam um espasmo, um tremer que faz respirar a terra (dá-lhe espaço onde ele não existe) um estiramento das placas. Se estirar para além dos limites, as placas movem-se violentamente e tudo treme, a terra abre, engole, abala, destrói o que não for flexível. Tal como o chão do presente é uma tensão entre o passado e o futuro originando contracções contínuas, espasmos.
O esticar e o estender de um corpo, o ampliar, expandir, ir para além dos limites físicos do próprio corpo, explorar os limites entre tensão e não tensão. Existe uma frecha, uma abertura para a libertação do corpo. O mesmo se passa no desenho, que pode ser visto como a tensão máxima da forma, o limite da vocação comunicacional da forma. O conteúdo vive nos interstícios, nas entrelinhas.
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